Perdão por não ter respondido antes. Este fim de ano fiquei muito enrolado por aqui e um pouco ausente no fórum. Mesmo assim estou sempre acompanhando os posts e já estava para responder este tópico faz algum tempo.
Ser um adestrador é algo simples. A teoria é simples, a forma de prestar o serviço é simples e a prática vem com o tempo, como em qualquer outra profissão. Por outro lado, ser um adestrador envolve muito mais responsabilidade e ética do que as apresentadas pela grande maioria dos profissionais.
Não posso dizer que o caminho que segui é o correto nem mesmo que é a única forma de se profissionalizar, mas vou partilhar um pouco da minha experiência.
Acredito que o primeiro passo é ter um cão, preferivelmente um filhote. Somente sendo um dono por no mínimo ano, estaremos aptos a nos colocar no lugar de um cliente. Lembre-se que seu cão não é uma cobaia para testes, não experimente e não o force com tudo que você aprender. Use apenas o que é adequado para ele.
Leia muitos livros, mas lembre-se de que nada é a verdade absoluta.
Faça cursos, eu diria que pelo menos uns 10 ou mais se o seu orçamento permitir, mas lembre-se de eliminar da sua mente, técnicas ou filosofias que desrespeitam o cão, como traumas desnecessários e a dor como forma de punir, educar ou conseguir a liderança. Devo dizer que uso 10% do que vi na maioria dos cursos que fiz. Mas nos cursos você conhecerá muitos outros "adestradores " e a troca de experiências é sempre positiva, mesmo quando você ouvir besteira. Não adianta discutir nesses casos. Pergunte, mas não teime. Como em toda profissão, as pessoas tendem a "saber tudo". Observe o trabalho de outros profissionais sempre que possível, mas procure guardar suas opiniões para você.
Observar cães foi a minha maior escola. Seja na casa de outras pessoas, na rua ou em seu lar, observe e tente entender o mundo deles. Presenciar certos acontecimentos lhe mostrará na prática o que a maioria dos livros e cursos jamais conseguirá. Truques são coisas simples demais para um cão, sua inteligência vai muito além desta interação divertida. Observe suas interações sociais e suas reações às atitudes de outros cães. Repare nas coisas que eles gostam, lembram ou associam. Perceba que cada cão é um indivíduo único e nunca haverá uma forma exata de se trabalhá-lo.
Cães de amigos podem ajudar, mas não haverá o suficiente para que você ganhe experiência. Então se não houver um adestrador muito bom, que esteja disposto a te pegar como aprendiz. Comece o trabalho após esse período de aprendizado teórico. Não adianta cobrar barato para fazer isso. Cobre o preço de um profissional. Gastar com cursos é um grande investimento e no momento que começar a prestar o serviço para terceiros, será a hora de recuperar seu investimento. Há muitos "profissionais" que nunca leram um livro ou nem sequer fizeram um ou dois cursos.
Não se apegue aos termos técnicos e evite de usá-los na hora de ensinar à alguém. Sempre surgem nomes novos para coisas antigas e muitos acreditam ser alguma nova técnica ou algo parecido, mas na verdade não há segredo nem a necessidade de estudos científicos mirabolantes. Quando parei de usá-los percebi que era bem mais fácil aprenderem o que eu explicava.
Coloque-se sempre no lugar do cliente e procure não julgá-lo. Faça com que ele seja seu amigo, assim terá muito mais facilidade em mudá-lo, para que se torne um dono quase perfeito.
Nunca treine cães, salvo quando forem cães de competição, guarda ou de uso profissional. Sempre dê aula para os donos, sempre. Só assim o trabalho é realmente eficaz. Você pode quebrar essa regra eventualmente, mas será uma concessão que você fará para bons donos que possuem cães muito difíceis. No resto é o dono ou a família quem treina, você apenas os ensinará como e dará início aos exercícios.
Espero ter ajudado.
![Abraço [abraço]](./images/smilies/amaris_glomp.gif)